Em tempos de eleições, a ressurreição da importância da palavra
Havia vida na palavra quando se podia ensinar; havia vida nas palavras quando as cordas vocais melodiavam uma cantiga para os atos de escrever e de falar. Havia existência na comunicação quando autor e leitor dialogavam, numa comum relação, mediatizada pelo texto, buscando, através deste, a compreensão do tema, a identificação do problema, a justificação para a defesa daquela tese, assentada na coerente argumentação. Sendo assim, de um texto brotava, primeiramente, a reflexão individual, e, por conseguinte, a discussão coletiva. Havia vida na palavra quando alguém falava e o outro se sujeitava a escutar; ainda que discordasse daquelas presunçosas premissas, a refinada paciência e a cordial educação o impeliam a ouvir e a tolerar. E, desta forma, todos se contagiavam, e por onde a palavra excursionava, a vida surgia; graças a ela, havia vida na família; havia vida nas escolas, nas igrejas, na sociedade civil. Das escolas peripatéticas às escolas retóricas medievais, seja...